quinta-feira, 28 de julho de 2011

Princípios e Métodos de controle de Infecção


Enfª Fernanda Maciel
Historicamente, no Brasil, o Controle das Infecções Hospitalares teve seu marco referencial com a Portaria MS nº 196, de 24 de junho de 1993, que instituiu a implantação de Comissões de Controle de Infecções Hospitalares em todos os hospitais do país. Atualmente, as diretrizes gerais para o Controle das Infecções em Serviços de Saúde são delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

                A infecção é a resposta inflamatória provocada pela invasão ou presença de microorganismos em tecidos orgânicos. As mãos são as principais vias de transmissão de infecção hospitalar e sua adequada lavagem é fundamental para o seu controle.  Lavar as mãos antes e depois do contato com o pacientes protege o profissional e os pacientes. A infecção cruzada é aquela  ocasionada pela transmissão de um microrganismo de um paciente para outro, geralmente pelo pessoal, ambiente ou um instrumento contaminado. Pode ser:

·         INFECÇÃO ENDÓGENA:
É um processo infeccioso decorrente da ação de microrganismos já existentes, naquela região ou tecido, de um paciente. Medidas terapêuticas que reduzem a resistência do indivíduo facilitam a multiplicação de bactéria em seu interior, por isso é muito importante, a anti-sepsia pré-cirúrgica.

·         INFECÇÃO EXÓGENA:
É aquela causada por microrganismos estranhos a paciente. Para impedir essa infecção, que pode ser grave, os instrumentos e demais elementos que são colocados na boca do paciente, devem estar estéreis. É importante, que barreiras sejam colocadas para impedir que instrumentos estéreis sejam contaminados, pois não basta um determinado instrumento ter sido esterilizado, é importante que em seu manuseio até o uso ele não se contamine.

A infecção pode ser:

INFECÇÃO COMUNITÁRIA
INFECÇÃO HOSPITALAR
É aquela constatada ou em incubação no ato de admissão hospitalar do paciente, desde que não relacionada com internamento anterior.
É aquela adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante a internação, ou mesmo após a alta, ou quando puder ser relacionada com a internação/ou procedimentos hospitalares. Para ser considerada infecção hospitalar, o paciente precisa estar internado apelo menos 72 horas. A manifestação da infecção hospitalar pode ocorrer após a alta, desde que esteja
relacionada com algum procedimento realizado durante a internação. Também chamada de infecção nosocomial.

A microbiota normal da pele é dividida em residente e transitória e esta classificação é essencial para o entendimento da cadeia de transmissão dos agentes infecciosos.
               
FLORA RESIDENTE
FLORA TRANSITÓRIA
gram-positivas
gram-negativas
pouco numerosa
muito numerosa
baixa virulência
alta virulência
não removível
removível
somente inativada por antisséptico
são facilmente removidos com água e sabão.
responsável por infecções em sítio cirúrgico e infecções imunodeprimidos.
responsável pelas Infecções Hospitalares,                  devido à facilidade de transmissão de um indivíduo a outro.
Staphylococcus
Pseudomonas

As regiões com maior concentração bacteriana são:
1.       Polegar,
2.       Interdigital e
3.       Ungueal.

Medidas Básicas:
·        Lavagem das mãos: lavagem deve durar no mínimo 15s. Lembre-se de que a fricção é importante durante a lavagem e que, após a lavagem das mãos, deve-se evitar tocar em qualquer superfície da área em que está o cliente.
·        Luvas de procedimentos: Devem ser usadas sempre que for esperado contato com líquidos corporais, incluindo contato com equipamentos expostos a líquidos corporais.
·        Roupas protetoras: Inclui capotes, toucas e propés, que devem ser usados sempre que houver risco de contato com líquidos corporais, em especial respingos ou exsudatos.
·        Proteção do rosto: Inclui máscara, óculos protetores ou protetor total da face. São usados quando há possibilidade de contato com membranas mucosas. Respingos exigem o uso de um escudo facial.
Técnica para Lavagem das mãos:
§  abrir a torneira;
§  aplicar sabão liquido;
§  friccionar por 15 segundos ( unhas, interdedos, polegar, palmas );
§  enxaguar com água corrente, deixando a torneira aberta ;
§  secar as mãos com toalha de papel ;
§  fechar a torneira com a mão protegida com toalha de papel caso não tenha fechamento automático.

PRECAUÇÕES PADRÃO OU UNIVERSAIS:
                Devem ser adotadas por todos os profissionais de saúde envolvidos na assistência aos pacientes atendidos em instituições de saúde, independente da doença inicialmente diagnostica e especialmente na presença de fluidos corpóreos ou sangue.
                Todos os pacientes, mesmo não apresentando sintomas específicos, devem ser considerados potenciais portadores de doenças transmissíveis e, portanto, o profissional de saúde deve adotar uma postura de precaução para não se infectar ou servir de vetor para transmitir doenças para outros pacientes ou para seus familiares. Esse tipo de precaução é importante para prevenir a aquisição das seguintes doenças: hepatite B e C, citomegalovírus, HIV, sífilis, herpes, etc. Inclui recomendações específicas para a utilização de luvas, protetores oculares e máscaras (Equipamentos de Proteção Individual – EPI).

                Consiste em:
·        Lave as mãos antes e após o contato.
·        Use luvas se houver contato com líquidos corporais.
·        Use proteção de face se houver possibilidade de respingos de líquidos corporais.
·        Isole os equipamentos e a roupa de cama para evitar a exposição a outros produtos ou pacientes (ensacar roupas).

TIPOS DE PRECAUÇÕES POR TRANSMISSÃO:
·         TRANSMISSÃO AÉREA POR GOTÍCULAS (PERDIGOTOS): Ocorre pela disseminação por gotículas maiores do que 5µm. Podem ser geradas durante tosse, espirro, conversação ou realização de diversos procedimentos (broncoscopia, inalação, etc.). Por serem partículas pesadas e não permanecerem suspensas no ar, não são necessários sistemas especiais de circulação e purificação do ar. As precauções devem ser tomadas por aqueles que se aproximam a menos de 1 metro da fonte. Aplicar em qualquer situação com doença de transmissão aérea comprovada ou suspeita. Tome os cuidados listados na precaução padrão, incluindo os itens a seguir:
o   Transfira o paciente pra um quarto particular (ou dividido com outros clientes que tenham a mesma infecção);
o   Use proteção respiratória (máscara cirúrgica ou comum) se chegar a menos de 90 cm do cliente;
o   Faça o cliente usar máscara comum, se for necessário transporte.

·         TRANSMISSÃO AÉREA POR AEROSSOL: Quando ocorre pela disseminação de partículas, cujo tamanho é de 5µm ou menos. Tais partículas permanecem suspensas no ar por longos períodos e podem ser dispersas a longas distâncias. Medidas especiais para se impedir a recirculação do ar contaminado e para se alcançar a sua descontaminação são desejáveis. Consistem em exemplos os agentes de varicela, sarampo e tuberculose. Tome os cuidados listados na precaução padrão, incluindo os itens a seguir:
o   Transfira o paciente para um quarto particular com pressão aérea negativa;
o   Use proteção respiratória (máscara com filtro – N95) no quarto;
o   Faça o cliente usar máscara cirúrgica ou comum se for necessário transporte.

·         TRANSMISSÃO POR CONTATO: É o modo mais comum de transmissão de infecções hospitalares. Envolve o contato direto (pessoa-pessoa) ou indireto (objetos contaminados, superfícies ambientais, itens de uso do paciente, roupas, etc.) promovendo a transferência física de microorganismos epidemiologicamente importantes para um hospedeiro susceptível. Tome os cuidados listados na precaução padrão, incluindo os itens a seguir:
o   Transfira o paciente pra um quarto particular (ou dividido com outros clientes que tenham a mesma infecção);
o   Use luvas antes e após contato com o cliente e/ou com equipamentos e vestimentas utilizadas para o mesmo. Troque as luvas e lave as mão após contato direto com material infectado;
o   Use um capote ao realizar qualquer procedimento;
o   Verifique a limpeza diária do quarto, dos equipamentos e de outros itens usados nos cuidados com o cliente; não remova equipamentos para outras áreas.

Observações importantes:
DESINFECÇÃO :  Processo que consiste na destruição, remoção ou redução de microrganismos presentes num material inanimado através do uso de agentes químicos . A desinfecção não implica na eliminação de todos os microrganismos viáveis, porém elimina a potencialidade infecciosa do objeto, superfície ou local tratado.
ANTI-SEPSIA: A prevenção da infecção por meio da inibição ou da destruição dos microorganismos causais.
ASSEPSIA: Ausência completa de germes patogênicos ou causadores de doenças.
v  Conforme a literatura internacional, as principais infecções hospitalares são as infecções urinárias, cirúrgicas, pulmonares (pneumonias nosocomiais) e as relacionadas a cateteres.

Bibliografia:
1.       Dicionário de termos médicos e de enfermagem. Org. Deocleciano Torrieri Guimarães; 1ª Ed; São Paulo: Rideel, 2002.
2.       Santos, Adélia Aparecida Marçal dos; HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS NO CONTROLE DAS INFECÇÕES EM SERVIÇOS DE SAÚDE. Disponível em:< http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higienizacao_mao.pdf> 27/07/11.
3.       Kowalski, Karen. MDS, Manual de Sobrevivência para Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
4.       Mozachi, Nelson. O HOSPITAL: MANUAL DO AMBIENTE HOSPITALAR. 9ª Ed; Curitiba: Os autores, 2007.
5.       Figueiredo, Nébia Maria Almeida de Figueiredo. ENSINANDO A CUIDAR EM SAÚDE PÚBLICA. 1ª Ed; São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2008.

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